História Vinho

Os vestígios mais antigos

As mais antigas sementes de uvas cultivadas foram descobertas na Geórgia (Rússia) e datam de 7000 – 5000 a.C. (datadas por marcação de carbono). As sementes encontradas na Geórgia foram classificadas como “Vitis Vinifera” ou variedade sativa, o que serve de base para o argumento de que as uvas eram cultivadas e o vinho presumivelmente elaborado. A idade dessas coincide com a passagem das culturas avançadas da Europa e do Oriente Próximo de uma vida nómada para uma vida sedentária, começando a cultivar as terras tanto quanto caçavam. Nesse período começam também a surgir, além da pedra, utensílios de cobre e as primeiras cerâmicas nas margens do Mar Cáspio.

O kwervri (um jarro de argila), existente no museu de Tibilisi, na Geórgia, datado de 50000 – 6000 a.C., é outra evidência desse período. No mesmo museu existem pequenos segmentos e galhos de videiras, datadas de 3000 a.C., e que parecem ter sido parte dos adornos das sepulturas, talvez com significado místico de serem transportadas para o mundo da morte onde poderia ser plantada e dar novamente prazer. Recentemente, foi encontrada no Irão (Pérsia), uma ânfora de 3.500 anos de contendo no seu interior uma mancha residual de vinho.

O Vinho no Egipto e na Grécia

Os egípcios não foram os primeiros a fazer vinho, mas foram os primeiros a saber como registrar e celebrar os detalhes da vinificação nas suas pinturas que datam de 1.000 a 3.000 a.C. Haviam, inclusive, especialistas que diferenciavam as qualidades dos vinhos profissionalmente. Nas tumbas dos faraós foram encontradas pinturas retratando com detalhes várias etapas da elaboração do vinho, tais como: a colheita da uva, a prensagem e a fermentação. Também são vistas cenas que mostram como os vinhos eram bebidos: em taças ou em jarras, através de canudos, em ambientes festivos, elegantes, algumas vezes, licenciosos. O consumo de vinho parece ter sido limitado aos ricos, nobres e sacerdotes. As vinhas e o vinho eram oferecidos aos deuses, especialmente pelos faraós, como mostram os registros do presente que Ramsés III (1100 a.C.) fez ao deus Amun.

Um facto muito interessante e que mostra o cuidado que os egípcios dedicavam ao vinho, é a descoberta feita em 1922 no túmulo do jovem faraó Tutankhamon (1371-1352 a.C.). Foram encontradas 36 ânforas de vinho algumas das quais continham inscrições da região, safra, nome do comerciante e até a inscrição "muito boa qualidade"!

No ano 2.000 a.C. Creta era desenvolvida, em parte pelo contacto com o Egipto, mas por volta de 1.500 a.C. foi superada por Micena, situada no sul da Grécia, cujo povo era mais agressivo, inclusive como comerciantes e colonizadores. Os micênios conquistaram desde a Sicília, no oeste, até a Síria, no Leste. Sob liderança de Agamenon, juntamente com os seus vizinhos espartanos sitiaram Tróia. O gosto dos gregos pelo vinho pode ser avaliado pela descoberta recente da adega do rei Nestor, de Pilos, cidade da Peloponésia (sul da Grécia). A capacidade da adega do rei foi estimada em 6.000 litros, armazenados em grandes jarras denominadas "pithoi". O vinho era levado até a adega dentro de bolsas de pele de animais que contribuiam para a formação do buquê do vinho.

O Vinho em Portugal

A vinha chega ao território que mais tarde viria a ser Portugal provavelmente com os Tartécios, em 2000 AC. Mas foram os romanos que expandiram a cultura da vinha mais ou menos por toda a bacia mediterrânica. É de salientar o papel importante da Igreja Católica na difusão da vinha e generalização do uso do vinho. A Igreja Católica consagrou o pão, mas também o vinho, passando este a fazer parte do ritual sagrado da missa. Com a necessidade de obterem o chamado vinho de missa, os monges tornaram-se os grandes impulsionadores e mestres da cultura da vinha e do fabrico do vinho.

Durante o domínio dos Mouros na Península Ibérica, a cultura da vinha e fabrico do vinho foram muito prejudicados, visto que o Islão proíbe o consumo de álcool. No início da Nacionalidade já a produção e comércio de vinho mereciam, por parte dos nossos monarcas, especial atenção, que, de tempos a tempos, lhe concediam Forais e Cartas Régias. Os Reis D. Dinis e D. Fernando protegeram o comércio do vinho aos Judeus.

Foi com o Marquês de Pombal que definitivamente a vinha conquistou o seu grande estatuto entre nós. É sob as suas ordens que é demarcada a região do Douro em 1756, tendo para tal sido criada a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, o que corresponde, na prática, à demarcação da primeira região vinícola do mundo. De referir ainda o incremento por ele dado às regiões de Bucelas e Colares.

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